Ao analisar o panorama eleitoral em Minas Gerais para 2026, a deputada estadual Lohanna França (PV) destacou que a centro-esquerda valoriza o diálogo e possui uma lista de potenciais candidatos ao governo do estado. Durante uma entrevista concedida à colunista política da Itatiaia, Bertha Maakaroun, a legisladora observou que seu grupo político mantém a comunicação aberta com várias figuras, enquanto a direita parece paralisada pelo movimento bolsonarista.
A deputada comentou que os candidatos da direita que estão ganhando destaque para o Governo de Minas — como o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) —, assim como o governador Romeu Zema (Novo), que é visto como uma opção para a Presidência da República, precisam “pagar um pedágio” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela enfatizou que estes candidatos não têm o compromisso com as necessidades do povo mineiro como prioridade em suas campanhas.
“Eu conheço quem está alinhado com o bolsonarismo, mas quero saber quem se dedica ao bem-estar dos mineiros, aos cidadãos de Minas Gerais, à população do interior, aos hospitais regionais, às escolas estaduais, aos policiais, às mulheres, e quem está disposto a abrir as contas para revelar quais empresários não estão contribuindo com impostos. Vale lembrar que há seis meses o vice-governador Mateus Simões prometeu desmistificar as isenções fiscais em Minas, mas até agora isso não ocorreu”, afirmou a parlamentar.
Lohanna também lembrou que inicialmente apoiava a candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD) ao Governo de Minas com o suporte da esquerda, mas considera essa possibilidade como um capítulo encerrado, devido à falta de retorno às suas insistentes propostas, incluindo as feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar disso, ela acredita que o tempo investido nas negociações para encontrar um nome da esquerda para a disputa pelo governo mineiro resultou em diversas opções para o campo. “As pessoas diziam que não tínhamos candidatos, mas agora estamos discutindo vários nomes. Temos Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB) e Marília Campos (PT), que, embora prefira o Senado, é uma candidata em potencial”, listou Lohanna.
Na entrevista divulgada nesta segunda-feira (22), Lohanna também manifestou sua intenção de se candidatar ao cargo de deputada federal no próximo ano.
Em sua posição como vice-líder da bancada feminina na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Lohanna falou sobre o trabalho das 15 deputadas estaduais no combate à violência de gênero no estado. Com a proposta de promover uma visão abrangente dos efeitos da misoginia, ela comentou sobre o tratamento dado aos homens que cometem crimes contra mulheres.
“O constituinte de 1988 decidiu que o Brasil não teria pena de morte ou prisão perpétua. Portanto, precisamos lidar com quem comete crimes, pois essas pessoas retornarão à sociedade, seja após uma pena curta ou longa. Se não passarem por um processo educativo, provavelmente voltarão a cometer atos violentos. Os homens que agredem mulheres devem passar por um processo de reeducação, participar de grupos reflexivos, conviver com a diversidade e aprender a respeitar as mulheres. Esses grupos de ódio às mulheres não estão mais restritos às redes sociais; eles estão se manifestando nas ruas”, avaliou a deputada.