Ao abordar o tema do endividamento público, é fundamental considerar mais a trajetória futura do que o estado atual. Conforme ressaltou a Instituição Fiscal Independente (IFI) em seu relatório de outubro de 2025, a narrativa em desenvolvimento é muito mais relevante do que uma simples instantânea. A IFI exemplifica essa perspectiva com a situação da Grécia, que viu sua dívida bruta atingir 210% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, mas, após implementar reformas fiscais significativas, conseguiu reduzir esse índice para 154,8% do PIB em 2024. O mais encorajador é que as previsões sugerem que essa tendência de queda continuará, com a dívida se aproximando, em 20 anos, do limite de 60% do PIB estabelecido pela União Europeia, permitindo ao país recuperar o grau de investimento junto às principais agências de classificação de risco.
Entretanto, o mercado demonstra ceticismo em relação aos dois pré-candidatos que se destacam nas pesquisas da Genial/Quaest para o segundo turno das eleições presidenciais — Lula e Flávio Bolsonaro — pois, até o momento, não transmitem a confiança necessária para liderar uma consolidação fiscal de tal magnitude. A reação do mercado foi imediata, evidenciada pela desvalorização dos ativos brasileiros após a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro de seu filho como candidato.
Com ainda dez meses até a eleição, é possível que o cenário político mude, seja através do fortalecimento de uma candidatura centrista, seja por meio da apresentação de propostas econômicas mais adequadas a um ajuste fiscal estrutural. Contudo, com os dados disponíveis atualmente, essa perspectiva otimista não parece ser a mais viável.
Ademais, existem riscos significativos no cenário internacional que podem impactar o mercado financeiro interno. A China enfrenta riscos de deflação e uma desaceleração econômica acentuada. Nos Estados Unidos, o principal risco reside na possibilidade de uma ruptura da bolha das grandes empresas de tecnologia, o que poderia ter efeitos sistêmicos.
Eu gostaria que meu último artigo de 2025 pudesse transmitir uma mensagem mais esperançosa, mas, se assim o fizesse, estaria sendo desonesto com meus leitores. Desejo a todos um Feliz Natal.