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Análise: Desafios econômicos não devem levar Putin a negociar

•Sputnik/Mikhail Metzel/Pool via Reuters

A economia russa enfrenta um ano de intensas dificuldades, incluindo inflação elevada, um déficit orçamentário crescente – em parte devido aos elevados gastos militares – e receitas em declínio provenientes do petróleo e gás natural. O crescimento econômico também sofreu uma desaceleração significativa. Contudo, é pouco provável que essa tempestade econômica faça com que o presidente Vladimir Putin busque uma mesa de negociações para encerrar o conflito na Ucrânia em um futuro próximo.

Especialistas afirmam que o Kremlin pode suportar essa crise por muitos anos, considerando o andamento atual dos combates e as sanções ocidentais em vigor. “Ao analisar a economia, não é a situação atual que fará a situação se tornar insustentável”, comentou Maria Snegovaya, pesquisadora sênior para a Rússia e Eurásia no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais). “Não é uma catástrofe. É algo que pode ser gerido.”

Observando um horizonte de três a cinco anos, Snegovaya sugere que a Rússia pode continuar em seu esforço bélico, enfatizando que uma avaliação precisa além desse período é difícil. Um grupo de economistas russos no exílio e contrários a Putin acredita que a guerra de desgaste pode se prolongar ainda mais, uma vez que a capacidade do Kremlin de sustentar o conflito “não é limitada por restrições econômicas”.

De acordo com Richard Connolly, do RUSI (Royal United Services Institute), as sanções ocidentais não causaram danos substanciais à economia russa, que é centrada na energia, para alterar as intenções de Moscou em relação à guerra. “Enquanto a Rússia continuar a produzir e vender petróleo a preços razoáveis, terá recursos suficientes para se manter estável”, acrescentou Connolly.

Históricamente, a Rússia tende a aceitar acordos de paz desfavoráveis em tempos de recessão, como observado ao final da Primeira Guerra Mundial e na guerra soviética no Afeganistão, segundo Snegovaya. No entanto, a atual situação econômica “ainda está muito distante disso, e será necessário um impacto econômico muito maior e mais prolongado para que isso ocorra”, afirmou à CNN Internacional.

Isso representa um revés para a Ucrânia e a administração Trump, que tentaram várias vezes negociar um fim para o conflito. O que mudou para a Rússia é que o impulso econômico inicial gerado pelos elevados gastos militares parece ter se esgotado, e agora o Kremlin precisa “continuar transferindo o peso da guerra para a sociedade russa”, explicou Snegovaya.

Esse peso se manifesta em aumentos significativos das alíquotas de impostos corporativos e de renda, além de um aumento no IVA (Imposto sobre Valor Agregado), para financiar gastos militares recordes. Os consumidores russos também estão lidando com aumentos acentuados de preços, especialmente em produtos importados. No entanto, ao contrário do que ocorre no Ocidente, a inflação elevada “não provoca muita insatisfação social” na Rússia, segundo Snegovaya, que atribui isso à propaganda e repressão governamentais.

Connolly também observou que, na Rússia pós-soviética, a inflação sempre foi alta, o que fez com que os consumidores se acostumassem com essa realidade. O Fundo Monetário Internacional projeta que a inflação anual na Rússia será de 7,6% este ano, abaixo dos 9,5% previstos para 2024. Atualmente, a Rússia destina quase 40% de seu orçamento para “agressão”, conforme destacado pelo secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.

Segundo um relatório de abril do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo), esses gastos militares aumentaram 38% no ano passado em comparação com 2023. Esse aumento gerou uma nova classe de “vencedores” econômicos em tempos de guerra, como empreiteiras de defesa e trabalhadores do setor. Como resultado, a desigualdade econômica na Rússia diminuiu, o que significa que Putin enfrenta menos pressão de determinados segmentos da sociedade, conforme argumentam os especialistas.

Enquanto isso, a Rússia tem buscado substituir algumas importações do Ocidente, ampliando a produção de têxteis, calçados e eletrônicos básicos. Ekaterina Kurbangaleeva, pesquisadora visitante da Universidade George Washington, observou que determinados trabalhadores viram seus salários aumentarem de três a cinco vezes entre 2021, ano que precedeu o início do conflito, e 2024. “Foi como uma injeção de adrenalina”, descreveu Kurbangaleeva sobre o impulso econômico durante a guerra, embora tenha notado uma desaceleração no crescimento desde então.

Algumas das áreas rurais mais necessitadas da Rússia também vivenciaram uma melhora econômica desde o início do conflito, em parte devido aos altos salários pagos aos soldados e suas famílias – uma estratégia do Kremlin para recrutar voluntários e evitar um recrutamento em massa, substituindo aqueles que perderam a vida nas batalhas na Ucrânia. “Os soldados russos de hoje recebem mais do que qualquer outro soldado na história das forças armadas russas”, afirmou Connolly. “Eles estão ganhando mais dinheiro do que jamais teriam imaginado se tivessem permanecido em suas regiões relativamente deprimidas e buscado outro emprego na economia civil.”

O governo russo também tem oferecido indenizações substanciais às famílias de soldados mortos ou feridos, como notou Kurbangaleeva. Essa injeção de recursos para o setor militar e suas famílias ajudou a suavizar o descontentamento, mesmo com o número de baixas russas na Ucrânia se aproximando de 1 milhão, com cerca de 250 mil mortos, conforme estimativas do CSIS publicadas em junho. O governo evitou, em grande medida, os tipos de protestos que ocorreram durante as guerras na Chechênia e no Afeganistão, quando familiares de soldados recrutados de áreas mais pobres exigiram o fim dos conflitos.

“Não acredito que as regiões tenham influência na continuidade da guerra, mas a ausência de manifestações públicas de protesto reduz a pressão sobre Putin ao tomar decisões sobre os próximos passos”, disse Connolly. Contudo, especialistas alertam que o Kremlin deve estar ciente do potencial impacto de um grande número de veteranos de guerra que retornariam à sociedade sem emprego e com diversas necessidades médicas, caso um acordo de paz seja alcançado. “Internamente, é do interesse de Putin manter essa guerra em andamento”, afirmou Kimberly Donovan, diretora da Iniciativa de Estratégia Econômica do Atlantic Council.

Embora as dificuldades econômicas sejam gerenciáveis a curto prazo, o cenário a longo prazo pode ser bastante diferente. A Rússia tem recorrido fortemente ao seu fundo soberano, o que, segundo um relatório recente do Atlantic Council, gera “novos dilemas para o Kremlin” à medida que a proteção que antes isolava a população dos custos da guerra diminui. O Instituto da Escola de Economia de Kiev aponta que o valor dos ativos líquidos no Fundo Nacional de Bem-Estar da Rússia caiu 57% desde o início do conflito.

Com a diminuição dos recursos, “é difícil imaginar um cenário em que o governo russo possa manter seus atuais gastos com defesa sem cortes significativos e visíveis nos gastos sociais”, conclui o relatório do Atlantic Council. Além disso, as recentes sanções impostas pelos Estados Unidos e Reino Unido a dois dos principais produtores de petróleo russos – Lukoil e Rosneft – elevaram os custos operacionais do país, conforme observou Donovan. “Essas empresas estão redirecionando as exportações de petróleo através de companhias menores… Isso tudo está gerando gastos elevados”, explicou.

Se essa situação se combinar com uma aplicação mais rigorosa das sanções e uma maior pressão sobre a Índia e China para interromper a compra de petróleo russo, o Kremlin poderá eventualmente rever suas estratégias, sugeriu Donovan. “Quanto mais pressão conseguirmos exercer sobre a Rússia com esse tipo de sanções, mais custoso será para eles tentarem evitá-las.”

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade