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Deputado Sóstenes afirma que R$ 430 mil em espécie apreendidos pela Polícia Federal são resultado da venda de um imóvel: “Na correria, não consegui depositar”

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, declarou que os R$ 430 mil em dinheiro vivo localizados pela Polícia Federal durante uma operação na manhã de hoje decorrem da venda de um imóvel. Ele explicou que a quantia não foi depositada devido à “correria” do dia a dia. “O montante encontrado provém de um contrato legítimo, referente à venda de um imóvel. Aqueles que se envolvem em corrupção não guardam dinheiro selado. É dinheiro legal”, afirmou Sóstenes. “Realizei a venda e recebi o valor em espécie, declarado na minha declaração de Imposto de Renda. Recebi o dinheiro recentemente e, por conta da agitação do trabalho, não consegui efetuar o depósito.”

O valor foi descoberto dentro de um saco de lixo em um armário do flat onde o deputado reside em Brasília. Ao ser questionado sobre os detalhes da transação do imóvel, ele preferiu não se aprofundar e prometeu fornecer as informações necessárias nos registros oficiais. Em 2022, ao Tribunal Superior Eleitoral, ele declarou ter um patrimônio de R$ 4.926,76, distribuído em duas contas bancárias.

Sóstenes também rechaçou qualquer irregularidade no uso de sua cota parlamentar. A Polícia Federal está investigando um possível esquema de desvio de verbas através de contratos para aluguel de veículos realizados por meio do gabinete da Câmara. “Estão tentando desviar a atenção da população ao associar um carro alugado e dinheiro de um imóvel. Estou disposto a enfrentar essa situação, não tenho receio das investigações. Estão insinuando que estou lavando dinheiro de um contrato de R$ 4.500. Podem conferir as gravações da Câmara. O carro tem dois anos de uso e sempre esteve aqui, com filmagens constantes. Flávio Dino, tudo está à sua disposição”, destacou o líder do PL. “Essa investigação é uma forma de perseguir a oposição.”

O deputado reside em um complexo que abriga hotéis e escritórios, próximo à sede do PL e ao posto da Torre, que ganhou notoriedade por sua ligação com a Operação Lava Jato. Além de Sóstenes, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também está sob investigação e enfrenta mandados de busca e apreensão. No total, a Polícia Federal está cumprindo sete ordens judiciais, emitidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília e no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, “agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam agido de forma coordenada para desviar e ocultar verba pública”. A apuração revela que os recursos desviados eram direcionados a empresas de fachada e, posteriormente, passavam por processos de lavagem de dinheiro. Assessores dos dois deputados teriam movimentado milhões de reais.

As investigações buscam esclarecer possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nas redes sociais, Jordy denunciou estar sendo alvo de uma “perseguição implacável” e de “pesca probatória”. Em uma entrevista, ele ressaltou que “não cabe a um parlamentar fiscalizar a frota ou a estrutura interna da empresa contratada, mas sim garantir a contratação do serviço mais eficiente e com o menor custo, como sempre fiz”. Sóstenes foi contatado para comentar, mas ainda não se manifestou.

Em dezembro do ano passado, a PF já havia realizado uma operação de busca e apreensão em endereços relacionados a assessores dos deputados, investigando o desvio de cota parlamentar através de contratos falsos com locadoras de veículos. Essa ação foi nomeada de “Rent a Car”, em alusão ao suposto esquema, onde uma empresa de locação era utilizada para simular a prestação de serviços.

De acordo com os investigadores, agentes públicos e empresários teriam estabelecido um “acordo ilícito para desvio de recursos públicos provenientes de cotas parlamentares” por meio desses contratos.
(Com O Globo)

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade