O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), manifestou seu apoio ao líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), após este ter sido alvo de críticas em razão de um acordo feito para votar a Dosimetria sem a aprovação do Planalto. Em entrevista ao Metrópoles, Alencar elogiou a atuação de seu colega e destacou a falta de suporte do governo em relação às articulações que Wagner tem realizado no Senado, afirmando que seria um erro permitir que ele deixasse a liderança do governo.
“Wagner é um excelente líder, tem se esforçado imensamente pelo governo, enfrentando uma carga pesada, especialmente por não ter recebido a contrapartida necessária do governo para enfrentar tantos desafios. O governo conseguiu aprovar tudo o que desejou sob sua liderança, e ele é uma figura de confiança para o presidente. Não vejo razão para que ele perca essa posição; o verdadeiro perdedor seria o governo”, declarou.
Após a votação favorável à Dosimetria, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, considerou a condução de Wagner um “erro lamentável”. O projeto foi aprovado com 48 votos a 25 no plenário. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não havia feito nenhum acordo e reiterou que vetaria a Dosimetria.
Otto Alencar, que preside a CCJ e se posicionou como um forte opositor ao projeto de lei que propõe a redução de penas e a aceleração da progressão de regime para os condenados pelo evento de 8 de Janeiro, comentou que Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação do governo, nunca o procurou para discutir esse ou qualquer outro assunto.
“O Jaques não possui a estrutura necessária. Muitos senadores chegam com demandas, e ele não consegue lidar com tudo isso sozinho, o que afeta as votações”, afirmou.
Em plenário, Jaques Wagner expressou que não tinha arrependimentos em relação à sua articulação. Ele observou que a situação na CCJ era “sem saída” e que “respeitar a democracia significa aceitar o resultado da votação, seja ela popular ou aqui nesta Casa”.
“Posso afirmar que não me envergonho de nada. Estou em paz com o que fiz e acredito que foi a decisão certa. Claro que alguns poderiam ter preferido adiar esse debate para fevereiro, após nosso recesso. Na minha visão, isso não alteraria o resultado final”, disse.
Otto Alencar também criticou a falta de presença dos líderes do governo durante a votação na CCJ. Os governistas tentaram três vezes adiar a votação da Dosimetria, mas todos os pedidos foram derrotados pela oposição.
Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues estavam ocupados em uma reunião ministerial com Lula pela manhã. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), participou remotamente de seu estado. Em várias ocasiões, Otto Alencar solicitou a presença dos líderes para ajudar a manter a tramitação, mas os reforços nunca vieram.
Na visão do senador baiano, o ano de 2026 promete ser desafiador para o governo no Senado, especialmente devido ao esvaziamento causado pelo ano eleitoral. Além disso, o governo Lula enfrenta dificuldades nas articulações, com a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em um momento tenso.
Otto Alencar declarou que, embora a relação institucional permaneça, há um distanciamento pessoal entre os envolvidos. O senador, que tem boa comunicação tanto com o Planalto quanto com o gabinete da presidência do Senado, tem tentado facilitar um encontro entre Lula e Alcolumbre, mas afirmou que não pode forçar essa conversa.
“Conversei com Davi [Alcolumbre] e, anteriormente, com o presidente Lula, buscando restabelecer o diálogo, mas não posso obrigá-los a se encontrar. A relação institucional continua, mas houve, sim, um certo tensionamento na relação pessoal”, comentou.