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Nova técnica de “biópsia” cerebral identifica Alzheimer precocemente, revela pesquisa

Andrew Brookes / Getty Images

Uma pesquisa conduzida pela Northern Arizona University (NAU), divulgada pela instituição em 22 de setembro, apresenta uma abordagem inovadora que pode auxiliar na detecção da doença de Alzheimer antes do surgimento de sintomas como lapsos de memória e confusão.

O método consiste na análise de alterações no funcionamento cerebral através de uma simples coleta de sangue. O Alzheimer, uma condição neurodegenerativa que se desenvolve gradualmente, causa mudanças silenciosas no cérebro ao longo dos anos, até que os primeiros sinais se tornem visíveis.

Um dos grandes desafios é que, muitas vezes, o diagnóstico ocorre apenas em estágios avançados da doença. Por essa razão, a ciência está em busca de maneiras de identificar o Alzheimer em fases iniciais. Antes de afetar a memória, a condição altera a maneira como o cérebro utiliza a glicose, sua principal fonte de energia, essencial para funções como pensamento, aprendizado e controle motor. Quando essa função começa a falhar, pode ser um indicativo precoce da doença.

Historicamente, a avaliação dessas mudanças exigia exames caros, complexos ou invasivos, que nem sempre são acessíveis à população em geral. Em resposta, a equipe da Northern Arizona University desenvolveu uma alternativa mais acessível. Os cientistas estão analisando microvesículas, pequenas partículas liberadas pelas células cerebrais que circulam no sangue e carregam informações sobre a atividade neuronal.

Ao coletar uma amostra de sangue e isolar essas microvesículas, os pesquisadores conseguem identificar sinais do metabolismo cerebral, funcionando como uma “biópsia” do cérebro, mas sem a necessidade de cirurgias ou procedimentos invasivos. Os estudos indicam que essas microvesículas podem detectar alterações no uso de glicose anos antes do aparecimento dos sintomas do Alzheimer.

O Alzheimer é uma doença degenerativa caracterizada pela morte de células cerebrais e pode se manifestar décadas antes dos primeiros sinais. Como a condição tende a se agravar com o tempo, um diagnóstico precoce é crucial para retardar seu avanço. Portanto, ao notar qualquer sintoma, é essencial buscar a orientação de um especialista.

Embora os sintomas sejam mais frequentes em indivíduos acima de 70 anos, episódios precoces podem ocorrer em pessoas na faixa dos 30 anos, sendo então classificado como Alzheimer precoce. Nos estágios iniciais, os afetados costumam apresentar dificuldades de memória, esquecendo detalhes simples como onde deixaram as chaves ou o que comeram no café da manhã.

Sinais adicionais incluem desorientação, dificuldade em lembrar do próprio endereço ou do caminho para casa, e problemas em tomar decisões cotidianas. Mudanças de comportamento, como aumento da irritabilidade ou agressividade, além de repetições, também são comuns entre os afetados.

Pesquisas da Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF) indicam que a presença de proteínas danificadas (como Amiloide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falhas na energia neural e fatores genéticos (como o gene APOE) podem estar relacionados ao início da doença.

O tratamento do Alzheimer envolve o uso de medicamentos para amenizar os sintomas, além de fisioterapia e estimulação cognitiva. Não existe cura para a condição, e o cuidado deve ser mantido ao longo da vida.

A detecção precoce do Alzheimer pode transformar a abordagem de cuidados para a doença. Com um diagnóstico antecipado, médicos podem monitorar os pacientes de forma mais eficaz, iniciar tratamentos mais cedo e até mesmo testar estratégias para desacelerar a progressão da condição.

Esse conceito é semelhante ao que ocorre com exames de colesterol ou glicose: identificar riscos antes que se tornem graves. Para o Alzheimer, isso poderia significar mais tempo de autonomia e qualidade de vida para os pacientes.

Até o momento, os testes foram realizados para validar o novo método e garantir sua eficácia. Os próximos passos incluem comparar os resultados entre indivíduos saudáveis, aqueles com comprometimento cognitivo leve e pacientes já diagnosticados com Alzheimer.

Apesar do grande potencial, essa nova técnica ainda não está disponível para uso clínico, necessitando de mais estudos com um número maior de participantes para assegurar sua precisão e segurança.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade