A Polícia Federal (PF) encontrou, em uma planilha pertencente a Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um registro de um repasse de R$ 50 mil destinado a Adroaldo Portal, que ocupava a segunda posição no Ministério da Previdência. A prisão domiciliar de Portal foi decretada nesta quinta-feira (18), e sua exoneração do cargo ocorreu após uma nova etapa da Operação Sem Desconto, conduzida pela PF.
🔎 Em abril, investigações da PF descobriram um esquema criminoso que promovia descontos irregulares em valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, que ocorreram entre 2019 e 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem totalizar até R$ 6,3 bilhões. Adroaldo Portal já havia sido afastado de suas funções por decisão do ministro André Mendonça antes da exoneração.
De acordo com a PF, a anotação feita por “Careca do INSS” datada de 23 de abril deste ano sugere que o valor de R$ 50 mil seria uma propina destinada a “Adro”. Os investigadores notaram movimentações financeiras suspeitas, incluindo depósitos em dinheiro que somaram R$ 249 mil em sua conta bancária entre 23 de outubro de 2023 e 29 de janeiro de 2024.
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) tinha uma relação estreita com o lobista, Gustavo Marques Gaspar, que foi ex-assessor e aliado, e que também esteve no gabinete do atual secretário-executivo da pasta, Adroaldo Portal. Este último foi assessor do senador entre 2019 e 2023, e, posteriormente, ocupou o cargo de secretário do Regime Geral de Previdência Social até se tornar Secretário-Executivo.
Eduardo Silva Portal, filho de Adroaldo, atua como ajudante parlamentar no gabinete do senador desde 13 de junho de 2023. A PF investiga movimentações financeiras suspeitas envolvendo Adroaldo, Eduardo e Vanessa Tocantins, chefe de gabinete no Ministério da Previdência. Na decisão que afastou Portal, o ministro André Mendonça, do STF, declarou que existem “fortes indícios da prática de ilícitos” com repercussões graves.
A PF iniciou nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. O secretário-executivo Adroaldo Portal foi afastado e teve prisão domiciliar decretada. Após a operação, o ministro Wolney Queiroz ordenou sua exoneração. A polícia também deteve Romeu Carvalho Antunes, filho de “Careca do INSS”, e Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do órgão, André Fidelis.
A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), abrange os estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal.