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Um em cada três brasileiros utiliza o celular durante os momentos de lazer

Para muitos brasileiros, o conceito de descanso tem se transformado em um tempo diante das telas. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Página 3, 35% dos entrevistados afirmam que “não fazer nada” significa, na verdade, navegar no celular. Esse percentual sobe para 53% entre os jovens de até 24 anos. O levantamento incluiu cerca de mil participantes de diversas partes do País.

Dentre aqueles que aproveitam os momentos de lazer para se conectar ao celular, 40% relatam sentimentos de tédio, culpa ou ansiedade. Em contrapartida, as pessoas que optam por se desconectar e relaxar tendem a associar o “não fazer nada” a experiências mais positivas. No total, 56% dos entrevistados ligam o ócio ao relaxamento, com 6% mencionando alívio e 7% prazer.

Georgia Reinés, co-fundadora da Página 3, explica que as redes sociais funcionam em dinâmicas que exploram recompensas imediatas e a liberação de dopamina, mantendo os usuários em um ciclo de estímulos e exaustão. “Apesar da conscientização coletiva sobre os impactos negativos desse comportamento, é difícil romper com a rotina incessante de rolar o feed. Para muitos, acessar e navegar em um aplicativo de rede social se tornou um ato automático e quase involuntário”, detalha.

Ela observa que o sentimento de culpa surge da contradição entre saber e agir: “saber que isso nos consome, mas continuar rolando o feed”, observa.

A especialista também destaca que cada plataforma provoca emoções distintas. “O Instagram tende a intensificar a ansiedade devido à constante comparação e à exposição a vidas idealizadas. O TikTok, apesar de ser mais espontâneo, talvez seja a plataforma mais viciadora: seu algoritmo, que proporciona reações instantâneas, prolonga o tempo de uso e, no final, gera culpa pelo tempo desperdiçado. Já o X (anteriormente conhecido como Twitter) opera como uma arena de disputas: intensa e emocionalmente desgastante”, elabora.

A pesquisa revelou que 28% dos brasileiros fazem pausas várias vezes ao dia para refletir ou contemplar, enquanto metade admite fazer isso ocasionalmente. Contudo, uma em cada cinco pessoas raramente ou nunca se permite esse tipo de pausa.

“Hoje, dedicar tempo para não fazer nada é cada vez mais raro. As telas ocupam esses momentos, mas dificilmente proporcionam um verdadeiro descanso. O que deveria ser um tempo livre muitas vezes se transforma em consumo de informações e estímulos digitais, fazendo com que a sensação de descanso se perca”, afirma Reinés.

Ela acrescenta que um ócio verdadeiramente restaurador não implica em ausência total de atividade, mas sim em um ritmo interno mais calmo que permita a recuperação de energia e clareza. “Isso pode incluir pequenas distrações, como ouvir música ou fazer uma caminhada pela cidade, mas o essencial é que a mente permaneça livre para que os pensamentos fluam de maneira mais natural”, comenta.

De acordo com a especialista, é possível encontrar descanso no ambiente digital, mas isso depende do tipo de estímulo e dos efeitos que ele provoca em cada indivíduo. “Séries, filmes, músicas, podcasts e até vídeos no YouTube ou em redes sociais podem servir como ferramentas de relaxamento, desde que não provoquem sobrecarga”, alerta.

Ela também enfatiza que um ócio verdadeiramente restaurador não é sinônimo de total inatividade, mas requer um ritmo interno mais lento que permita a recuperação da energia e clareza. “Isso pode envolver pequenas distrações, como ouvir uma música ou caminhar pela cidade, mas o fundamental é que a mente se mantenha livre para que os pensamentos possam fluir de forma mais espontânea”, conclui.

Por fim, Reinés sugere o uso de aplicativos de monitoramento para acompanhar o tempo gasto no celular, que podem até alertar quando o tempo limite é ultrapassado. “Além disso, existem sinais no cotidiano, como a dificuldade em desfrutar de momentos de pausa sem recorrer à tela ou, pior ainda, quando se está em alguma atividade e não se consegue desviar o olhar do celular”, alerta. (Com informações do Valor Econômico)

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade