Nos últimos dez anos, a violência decorrente de armas de fogo no Brasil resultou em um gasto de R$ 556 milhões dos fundos federais destinados à saúde pública, principalmente com internações hospitalares para tratar vítimas de ferimentos. Essa informação é parte da 3ª edição da pesquisa “Custos da Violência Armada: despesas da saúde pública com atendimento a vítimas de armas de fogo”, divulgada pelo Instituto Sou da Paz.
Em 2024, o SUS (Sistema Único de Saúde) registrou despesas de R$ 42,3 milhões, que foram utilizados para atender 15,8 mil internações devido a ferimentos causados por armas de fogo. Além disso, o estudo aponta que o custo médio de uma internação por lesão provocada por arma de fogo é 159% superior, ou seja, 2,6 vezes maior, em comparação ao gasto médio federal com saúde no mesmo ano, totalizando R$ 2.680 por internação.
Os dados sobre internações e óbitos relacionados a armas de fogo no Brasil, durante o período de 2015 a 2024, foram obtidos através do SIH (Sistema de Informações Hospitalares) e do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). Observou-se uma diminuição nos custos anuais com internações, que atingiram um pico entre 2015 e 2017, com uma redução acumulada de 42% ao longo da década. A média anual de gastos nesse período ficou em R$ 56,6 milhões.
Embora o custo total federal com esses atendimentos ao longo da última década (2015-2024) tenha mostrado uma queda de 35% no número de internações por ferimentos de armas de fogo, a redução entre 2023 e 2024 foi modesta, de apenas 3%. Os dados revelam que os eventos intencionais, como agressões por terceiros (77,3%) e lesões autoprovocadas com armas de fogo (3,5%), representam 80,8% das causas de hospitalização.
Durante todo o período analisado, o número de mortes por arma de fogo permaneceu cerca de duas vezes superior ao de internações, evidenciando a alta letalidade desses incidentes no Brasil. A diminuição nas internações está, de maneira geral, alinhada com a queda nas mortes por agressões armadas. A discrepância entre óbitos e internações é especialmente significativa em estados como Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Amazonas e Goiás, onde a taxa de mortes pode ser de quatro a cinco vezes maior que a de internações.