Na região metropolitana de São Paulo, um homem permanece desaparecido após ser arrastado por uma enxurrada. As operações de busca tiveram início na terça-feira (16), quando o veículo do entregador de 58 anos foi levado pela correnteza em Guarulhos. Além das vítimas, cada tempestade traz consigo o temor e os danos causados por explosões de transformadores, fios rompidos devido à queda de postes e árvores. A Prefeitura de São Paulo registrou 438 quedas de árvores entre os dias 9 e 11 de outubro, e na terça-feira (16), mais dez árvores foram derrubadas.
As árvores sempre foram consideradas parte da solução para os desafios impostos pelas mudanças climáticas, mas em cidades como São Paulo, elas se tornaram um fator que contribui para os apagões e acidentes. Especialistas apontam que o plantio e o monitoramento dessas árvores são feitos de maneira burocrática e inadequada. O botânico Ricardo Cardim ressalta que, com o devido cuidado, as árvores podem coexistir com a fiação elétrica: “Ao podar os galhos jovens, a árvore se recupera sem adoecer, adaptando-se às condições da infraestrutura urbana. É possível haver uma convivência harmoniosa, mas isso requer manutenção adequada, com equipes especializadas em número suficiente. As árvores são a chave para enfrentar as mudanças climáticas hoje”.
Cardim enfatiza a necessidade urgente de um programa estruturado que trate da poda, remoção e plantio de árvores. “Precisamos investir de forma significativa, assim como fazemos em outras infraestruturas vitais, ou enfrentaremos sérios problemas em uma cidade como São Paulo”, alerta o botânico e paisagista.
O secretário das Subprefeituras informou que a administração municipal ampliou o número de equipes dedicadas ao trabalho preventivo, realizando centenas de podas e remoções anualmente. Ele também mencionou que um mapeamento das árvores da cidade deve ser concluído em três anos. “As 32 subprefeituras colaboram com a secretaria. O pedido dos cidadãos é avaliado por um agrônomo de carreira, que elabora um laudo. Frequentemente, ele recomenda a poda ou remoção das árvores. Essas ações não atendem apenas às solicitações dos munícipes, mas também são parte do trabalho preventivo realizado pelos agrônomos que analisam a vegetação de São Paulo”, destacou Fabricio Cobra Arbex, secretário das Subprefeituras.
Na noite de quarta-feira (17), cerca de 30 mil imóveis na Grande São Paulo estavam sem energia. No dia anterior, os governos federal, estadual e municipal anunciaram a intenção de rescindir o contrato com a concessionária de energia Enel. A decisão de abrir um processo caberá à Agência Nacional de Energia Elétrica.
Em resposta, a Enel afirmou que a solução para eventos meteorológicos extremos demanda investimentos significativos em redes resilientes e digitalizadas, além da implementação em larga escala de fiação subterrânea. A empresa declarou estar disposta a investir, mas ressaltou que isso requer coordenação com o setor público e uma remuneração adequada.