A comunidade acadêmica de Belo Horizonte se despediu, na quarta-feira (17), de Glória Gomide, que faleceu aos 71 anos. Como professora e ex-diretora da Faculdade de Comunicação e Artes (FCA) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), ela deixou uma marca indelével na área da Comunicação, tanto em Minas Gerais quanto em todo o Brasil.
Recentemente, Glória lutou contra um câncer metastático que afetava seu pulmão, pleura e coluna, diagnosticado há aproximadamente três meses. O velório ocorrerá nesta quinta-feira, dia 18, a partir das 9h, com o sepultamento programado para as 11h, na capela 5 do Cemitério do Bonfim, em BH.
Trajetória
Ao longo de sua carreira, Glória Gomide obteve o doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa e atuou como publicitária, diretora de arte e pesquisadora, integrando diferentes áreas de conhecimento. Desde o início de sua trajetória, direcionou seus estudos para narrativas seriadas e audiovisuais, tornando-se uma referência acadêmica nesse campo, sempre com uma perspectiva crítica e inovadora.
Em 1996, o Governo de Minas Gerais lhe concedeu a Medalha da Inconfidência, em reconhecimento ao seu valoroso trabalho cultural. Ao longo dos anos, Glória publicou análises que exploraram diversos universos literários e audiovisuais, abordando obras que vão de Victor Hugo a Downton Abbey, passando por Guimarães Rosa e Sin City. Em 2017, publicou o artigo provocador intitulado “Eu não gosto de Black Mirror”.
Além de sua atuação acadêmica, Glória contribuiu com o caderno Pensar, do jornal Estado de Minas, e com revistas especializadas, incluindo as publicações da PUC Minas e a Rumores, da Universidade de São Paulo. Ela também utilizou as redes sociais, especialmente o Instagram, para compartilhar suas críticas sobre minisséries e séries contemporâneas.
Legado
Em 2018, Glória se aposentou da PUC Minas, encerrando sua carreira docente. Nesse momento, seus alunos realizaram homenagens que destacaram não apenas suas contribuições acadêmicas, mas também sua personalidade criativa e irreverente. Muitas pessoas lembram de seus óculos de formatos variados, que se tornaram um símbolo de sua identidade visual e intelectual.
Glória Gomide deixa um legado significativo na pesquisa acadêmica, na formação de profissionais da Comunicação e na crítica cultural. Sua trajetória permanece como um exemplo de ousadia intelectual, rigor teórico e criatividade constante.