A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou nesta quarta-feira (17) que não está pronta para apoiar um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, o que gerou desânimo em relação à conclusão do pacto nos próximos dias. Havia a expectativa de que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, viajasse ao Brasil no fim de semana para oficializar a assinatura do acordo, que foi alcançado após 25 anos de negociações com o bloco formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Confirmando informações previamente divulgadas pela Reuters, Meloni alinhou-se à França ao solicitar um adiamento na aprovação do acordo, que enfrenta resistência de outros países, como a Polônia. “O governo italiano sempre deixou claro que o acordo deve trazer benefícios para todos os setores, sendo essencial abordar, especialmente, as preocupações de nossos agricultores”, afirmou Meloni em discurso na câmara baixa do Parlamento italiano.
Ela ressaltou que seria “prematuro” assinar o acordo antes de que um conjunto adicional de medidas, a ser acordado com a Comissão Europeia para proteger os agricultores, esteja totalmente definido, enfatizando a necessidade de garantir condições adequadas de reciprocidade para o setor agrícola. “Devemos aguardar até que essas medidas sejam concluídas e, ao mesmo tempo, discuti-las e explicá-las aos nossos agricultores”, acrescentou.
Alemanha, Espanha e os países nórdicos afirmam que o acordo facilitará as exportações afetadas por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e diminuirá a dependência em relação à China, proporcionando acesso a minerais. Os parlamentares da UE apoiaram, na terça-feira, a implementação de controles mais rigorosos sobre as importações de produtos agrícolas no âmbito do acordo proposto, mas o partido Irmãos da Itália, de Meloni, manifestou que as medidas ainda não são suficientes para assegurar que os agricultores possam competir em igualdade de condições.
“Isso não significa que a Itália pretende bloquear ou se opor ao acordo em sua totalidade… Estou bastante confiante de que, no início do próximo ano, todas essas condições poderão ser atendidas”, concluiu Meloni.