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Bromélias da Amazônia: qual o papel dessas plantas no ecossistema da região?

Bromélias amazônicas (abacaxi curauá). Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Segundo João Victor Rodrigues, especialista em botânica, as bromélias desempenham um papel crucial na preservação da cadeia alimentar, uma vez que a maioria das suas espécies está interligada a polinizadores. As bromélias pertencem à família Bromeliaceae, que se subdivide em 56 gêneros e mais de 3 mil espécies. Elas podem ser terrestres ou crescer sobre rochas, mas, em sua maioria, se desenvolvem apoiadas em outras plantas, como árvores. Embora a Amazônia não apresente uma diversidade tão vasta de bromélias em comparação com outros biomas tropicais, sua importância para o meio ambiente local é indiscutível.

As flores das bromélias são simétricas, com sépalas que contrastam com pétalas vibrantes e numerosas. Os frutos são geralmente baga ou cápsula, e raramente múltiplos e carnosos. Algumas espécies, como o abacaxi, são comestíveis e bastante conhecidas.

Além de sua beleza, que as torna populares em jardins e como plantas de interior, as bromélias podem ser cultivadas em vasos ou fixadas em troncos e xaxins. No Brasil, observa-se uma grande variedade dessas plantas, sendo mais comuns nos biomas da Mata Atlântica e Cerrado. Na Amazônia, elas são frequentemente encontradas nas proximidades de igarapés, areais e áreas de igapó, especialmente em Presidente Figueiredo, no estado do Amazonas, onde o solo é rochoso e arenoso.

Conforme explicou Rodrigues, as bromélias são essenciais para o equilíbrio ecológico devido às suas características adaptativas. Apesar de serem frequentemente vistas como parasitas por se fixarem em outras plantas, elas não extraem nutrientes delas, mas sim atuam como micro-habitats, proporcionando abrigo e benefícios a diversas espécies.

O biólogo destaca que a estrutura em roseta das bromélias acumula água, um recurso vital para o ecossistema. Essas plantas são capazes de coletar umidade por meio de suas folhas, absorvendo nutrientes e funcionando como abrigo para organismos como larvas de insetos e pequenos anfíbios. Além disso, as bromélias atuam como fontes de água para a fauna local, que se beneficia do acúmulo hídrico.

Rodrigues ainda ressalta que as bromélias são fundamentais na cadeia alimentar, pois várias espécies dependem delas para sobreviver. Ele mencionou quatro tipos de bromélias da Amazônia, incluindo duas comuns e duas raras:

– **Guzmania lingulata**: Conhecida como estrela-escarlate, esta planta de pequeno porte pertence à mesma família do abacaxi e é nativa de florestas tropicais nas Américas. O termo “lingulata” refere-se à forma de suas folhas.

– **Araeococcus micranthus**: Esta bromélia se adapta a florestas úmidas nas bacias dos rios Orinoco e Amazonas, sendo comum em estados como Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Pará. Suas flores, organizadas em cachos soltos, apresentam pétalas amarelas com três linhas distintas.

– **Pitcairnia**: A maioria das espécies deste gênero cresce no solo ou em rochas, geralmente em ambientes úmidos e com baixa luminosidade. Na Amazônia, foram identificadas 18 espécies de Pitcairnia, muitas das quais são exclusivas da região.

– **Brocchinia hechtioides**: Uma das raras bromélias carnívoras do mundo, que atrai e absorve insetos como fonte de nutrientes.

*Com informações da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e do estudo de Gustavo Martinelli e Rafaela Canpostrini Forzza sobre Pitcairnia.
**Por Karla Ximenes, sob a supervisão de Clarissa Bacellar.*

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade