A sensação de mãos e pés frios ocasionalmente é algo comum, especialmente em dias gelados ou após situações de estresse. No entanto, quando essa sensação se torna frequente e surge sem explicação aparente, é motivo de preocupação.
Várias alterações podem influenciar essa condição, incluindo problemas circulatórios, desequilíbrios hormonais, distúrbios metabólicos e até questões relacionadas ao sistema nervoso. Compreender essas causas é fundamental para distinguir entre um mero desconforto e uma condição que exige cuidados médicos.
Em muitos casos, as extremidades frias resultam de uma circulação inadequada, onde o sangue não consegue fluir corretamente. Doenças arteriais, como obstruções ou inflamações, podem limitar a passagem de oxigênio e calor, contribuindo para a sensação de frio nas mãos e pés.
Além disso, certas patologias podem provocar contrações abruptas dos vasos sanguíneos, como no fenômeno de Raynaud. Durante as crises, é comum que os dedos mudem de coloração, tornando-se pálidos ou arroxeados, e a temperatura diminua rapidamente.
O cirurgião vascular Herik de Oliveira, associado à Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, comenta que as variações de temperatura podem ocorrer porque os vasos sanguíneos reagem de maneira exagerada a estímulos simples, como o frio ou o estresse.
Mudanças nas veias, como varizes ou sequelas de trombose, também podem comprometer a circulação, intensificando a sensação de frio nas extremidades. Nesse cenário, o corpo prioriza o envio de sangue para os órgãos internos, reduzindo o calor que chega aos membros.
Outro fator relevante são as alterações na função da tireoide, que podem ser uma das principais causas desse sintoma. A diminuição na produção de hormônios tireoidianos desacelera o metabolismo e reduz a geração de calor, resultando em extremidades mais frias. Mudanças hormonais associadas a fases como a menopausa ou andropausa também influenciam a regulação da temperatura corporal.
A perda de peso rápida pode diminuir a camada de gordura que ajuda a reter calor, aumentando a sensibilidade ao frio e tornando as extremidades mais suscetíveis a essa sensação desagradável.
A neuropatia diabética, que ocorre após períodos prolongados de níveis elevados de glicose no sangue, pode danificar os nervos responsáveis pela percepção térmica, fazendo com que mãos e pés pareçam frios mesmo em ambientes quentes.
A endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo (SBEM-SP), ressalta que essas variações na temperatura geralmente vêm acompanhadas de outros sintomas. Além disso, a diabetes pode aumentar o risco de problemas arteriais, dificultando ainda mais a circulação sanguínea nas extremidades.
Algumas medidas podem ajudar a aliviar a sensação de frio nas mãos e pés. Manter o corpo aquecido, usar meias e luvas, e evitar a exposição a temperaturas baixas podem melhorar a circulação. A prática regular de exercícios físicos também favorece o fluxo sanguíneo e diminui o desconforto.
Tomar banhos mornos pode ser benéfico durante os momentos de maior incômodo. É importante evitar cigarro, consumo excessivo de álcool e medicamentos que causam vasoconstrição, pois esses fatores tendem a agravar a sensação de frio nas extremidades.
Se essa sensação se torna frequente ou vem acompanhada de dormência e dor, é essencial buscar avaliação médica para identificar a causa e determinar o tratamento mais adequado.
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