Silvinei Vasques, que foi diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e atualmente ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação na cidade de São José, região metropolitana de Florianópolis, pediu sua exoneração. A informação foi confirmada pela administração municipal nesta terça-feira (16).
A renúncia ocorre simultaneamente à condenação de Vasques pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o sentenciou a 24 anos e 6 meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições de 2022. Juntamente com ele, outros quatro réus também receberam condenações (veja mais detalhes abaixo).
A Prefeitura de São José, em comunicado, declarou que “Silvinei Vasques pediu sua exoneração do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação. O Município expressa gratidão pela contribuição oferecida durante o tempo em que esteve na Prefeitura”.
Segundo informações do STF, Vasques fez parte do denominado “núcleo 2” da organização criminosa e atuou para obstruir a votação de eleitores, especialmente na região Nordeste, através de operações da PRF durante o segundo turno das eleições. Ele foi condenado por crimes como golpe de Estado, violação do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e organização criminosa.
Além da pena de prisão, o ex-diretor terá seus direitos políticos suspensos e ficará inelegível, além de ser responsável por uma indenização coletiva de R$ 30 milhões junto aos outros condenados.
O g1 buscou informações junto à Polícia Federal sobre a prisão e aguardava retorno nesta terça-feira (16).
Silvinei já havia sido detido em 2023 e libertado em agosto do mesmo ano sob medidas cautelares. Em abril de 2024, tornou-se réu no processo e assumiu seu cargo na prefeitura, uma das cidades mais populosas de Santa Catarina.
Natural de Ivaiporã (PR), Silvinei ingressou na PRF em 1995, onde permaneceu por 27 anos. Em dezembro de 2022, ele se aposentou voluntariamente, recebendo a integralidade do salário.
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Monitoramento e neutralização de autoridades.
O relator do caso, Moraes, votou pela condenação de quatro réus por todos os crimes pelos quais foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os condenados incluem:
– Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF (Pena: 24 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado e 120 dias-multa).
– Marcelo Câmara, coronel da reserva e ex-assessor de Jair Bolsonaro (Pena: 21 anos de prisão, em regime inicial fechado e 120 dias-multa).
– Filipe Martins, ex-assessor especial de Assuntos Internacionais do ex-presidente (Pena: 21 anos de prisão, em regime inicial fechado e 120 dias-multa).
– General Mario Fernandes, general da reserva e ex-secretário-geral da Presidência (Pena: 26 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado e 120 dias-multa).
Moraes também votou pela condenação de Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, por dois dos crimes da denúncia original: organização criminosa e tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito.
De acordo com a PGR, os réus foram responsáveis por coordenar ações de monitoramento e neutralização de autoridades públicas e elaboraram um decreto que visava implementar medidas excepcionais (golpistas) no país, além de tentativas de impedir a votação de eleitores, principalmente no Nordeste, durante as eleições de 2022.
Segundo a PGR, o grupo gerenciou as principais iniciativas da organização criminosa, que incluíram:
– Uso das forças policiais para garantir que o ex-presidente Jair Bolsonaro permanecesse no poder.
– Coordenação de ações de monitoramento de autoridades públicas.
– Interlocução com líderes envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.
– Elaboração da minuta do golpe, um documento que buscava implementar medidas de exceção no país.
Nota da Prefeitura de São José:
“A Prefeitura de São José informa que Silvinei Vasques solicitou sua exoneração do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação. O Município agradece a contribuição prestada durante o período em que esteve na Prefeitura”.
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