A deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ) tomou posse nesta terça-feira (16) como suplente de Glauber Braga (PSOL-RJ), marcando seu retorno ao Congresso Nacional após 18 anos desde seu último mandato como senadora. Em seu discurso inaugural, Heloísa não poupou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a cerimônia, a deputada recordou sua trajetória de oposição ao PT, destacando sua resistência à reforma da Previdência proposta no primeiro governo Lula. Ela afirmou que sua derrota nas urnas foi resultado de “conluios palacianos”, criticou a reforma administrativa e garantiu que “lutará sem conciliação com o governo federal em qualquer traição de classe”. Ao final de sua fala, deixou uma mensagem enigmática: “Para os que me odeiam, se avexem, não, que o tempo passa rápido. Daqui a pouco Glauber volta”.
Emocionada, Heloísa abriu seu primeiro discurso na Câmara elogiando Glauber Braga, que foi suspenso por “desafiar o sistema”. Ela considerou essa suspensão uma “injustiça” e refletiu sobre sua própria experiência. “Nunca imaginei que voltaria ao Congresso Nacional numa injustiça tão grande”, comentou.
Recordando momentos difíceis, Heloísa lembrou que, há 22 anos, ela e a deputada Luciana Genro enfrentaram situações humilhantes ao defender mais de 8 milhões de servidores contra uma reforma da Previdência que comprometia os direitos trabalhistas. “Vivenciamos isso fisicamente, quando fomos retirados do prédio do INSS por ordens do Palácio do Planalto, submetidos a bombas de gás lacrimogêneo”, relatou.
Heloísa Helena é uma das fundadoras da Rede e do PSOL, partido que ajudou a criar em 2004 após divergências com o primeiro governo Lula. A Rede atualmente faz parte de uma federação com o PSOL. A ruptura que resultou na criação do PSOL foi catalisada pela reforma da Previdência promovida pelo governo petista, que Heloísa critica como “neoliberal”. “Meu compromisso não é com os malditos conluios da realpolitik, onde sorrisos na frente e facadas nas costas são comuns. Meu compromisso é com o Brasil real, é o Rio profundo, longe dos cartões postais”, declarou.
Antes de sair do PT, Heloísa era senadora por Alagoas, cargo que ocupou de 1998 a 2007. Em 2006, foi candidata à presidência pelo PSOL, terminando a corrida eleitoral em terceiro lugar com 6,85% dos votos.
Agora, na Rede, ela participou de uma disputa interna pelo comando do partido, superando a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Heloísa listou os pontos que pretende contestar no governo Lula: “Vou lutar sem subserviência, sem conciliação com o governo federal em qualquer traição de classe. No entreguismo de terras raras, na privatização de rios e em outros setores estratégicos. Estarei aqui sem fazer concessões a quem se alia ao capital, alimentando os poderosos”, afirmou, assegurando que “derrotaremos a reforma administrativa”.
A suspensão do mandato de Glauber Braga, que durará seis meses, foi decidida pelo plenário da Câmara na semana passada, e mesmo assim, membros do governo comemoraram a decisão, pois havia uma articulação para a cassação do parlamentar. Glauber acusa o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de ser o principal responsável por essa movimentação. Após a decisão, Lira foi ouvido reclamando: “Duzentos e tantos votos… p****!”.