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O que faz você investir em festivais europeus, mas ignorar os de Belém?

Recentemente, retornei de Belém, onde participei do Festival Psica. Durante três dias, mergulhei na rica diversidade musical da Pan-Amazônia, o que me levou a refletir sobre a percepção de que grandes eventos culturais só ocorrem no Rio de Janeiro, em São Paulo ou, quando muito, em Salvador.

Tive a oportunidade de ver Wanderley Andrade agitar o Mangueirão em um show memorável, que culminou com ele em cima de um banheiro químico, para delírio do público presente. Dona Onete, aos 86 anos, encantou todos com uma apresentação que merecia estar no topo do cartaz. Dancei ao som de Fruto Tropical e Carol Lyne e me emocionei com Luedji Luna, que abriu o festival gratuitamente no Centro Histórico, proporcionando uma celebração da vida e da morte, como aprendemos com o candomblé. No meio de 50 atrações que homenageavam tudo o que vibra na Amazônia e no Brasil, com artistas como Mano Brown, Martinho da Vila, Jorge Aragão e Marina Sena representando o “pop nacional”, percebi algo que frequentemente ignoramos: o verdadeiro Brasil se revela longe dos grandes centros.

E o Psica não é um caso isolado. O Afropunk movimentou Salvador, reunindo 63 mil pessoas em um único fim de semana. O Planeta Atlântida atrai 80 mil gaúchos todos os verões, gerando mais de R$ 130 milhões para a economia local. O Bananada está se preparando para seu retorno em 2026 em Goiânia, após um hiato, demonstrando que festivais independentes têm fôlego.

Mas a questão que persiste é: por que tratamos esses festivais como se fossem menos importantes? Por que tantos brasileiros desembolsam quantias altas para ir ao Primavera Sound em Barcelona ou ao Coachella na Califórnia, mas raramente consideram um voo para Belém ou Salvador?

O que o Psica revelou para mim é que esses festivais são convites para descobrir o Brasil que desconhecemos. Para perceber que a tecnomelody é tão inovadora quanto qualquer tendência em Nova York. Que a batalha dos bois de Parintins carrega uma história mais rica que qualquer artista gringo no palco principal.

Participar desses eventos é uma experiência transformadora. É sentir a força de um banho de rio após saborear um açaí com peixe frito ou subir as ladeiras do Pelourinho, sendo envolvido pelo aroma do acarajé da baiana.

Entretanto, para que esses festivais continuem a existir, é fundamental discutir seriamente o suporte governamental. O Afropunk, após anos celebrando a cultura afro-brasileira na cidade mais negra fora da África, planeja mudar seu evento principal para o Rio de Janeiro em 2026. O Psica ocorre porque, além do apoio de marcas patrocinadoras, conta com o respaldo do Ministério da Cultura, do governo do Pará e da Prefeitura de Belém. Sem esse suporte, esses eventos simplesmente não teriam viabilidade.

Não se trata apenas de dinheiro; é sobre valorizar nossa própria cultura. Quando o Bananada é incluído no calendário oficial de Goiânia, isso significa reconhecer que a cultura alternativa merece ser uma prioridade nas políticas públicas.

Retornei de Belém transformado, com a convicção de que a descentralização cultural não é um favor, mas a única forma de realmente vivermos um Brasil plural.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade