Mesmo com a diminuição do crédito rural e as consequências do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre o café, o agronegócio de Minas Gerais encerrou 2025 com um marco histórico nas exportações. O setor alcançou um total de US$ 18,10 bilhões, um crescimento de 13% em comparação a 2024. Essas informações foram apresentadas em um relatório divulgado pelo Sistema Faemg na manhã desta terça-feira (16).
O café foi o grande destaque das exportações, representando 56,1% do total, com vendas externas que somaram US$ 10,15 bilhões e 24,8 milhões de sacas enviadas ao exterior. Segundo Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg, embora o aumento de tarifas tenha afetado o setor, não impediu um desempenho positivo. “O tarifaço foi como um congestionamento na estrada. Impediu o fluxo do café por dois ou três meses”, comentou.
O complexo da soja respondeu por 15,6% das exportações do agronegócio mineiro, com a soja em grãos se destacando ao alcançar US$ 2,82 bilhões e cerca de 7 milhões de toneladas exportadas, principalmente para a China. Minas Gerais foi responsável por 11,7% das exportações agropecuárias do Brasil, ocupando o terceiro lugar no ranking nacional, atrás de Mato Grosso e São Paulo, e à frente do Paraná e do Rio Grande do Sul. Produtos agropecuários de Minas foram enviados para 177 países, com a China sendo o principal destino, seguida pelos Estados Unidos.
No setor pecuário, alguns segmentos também mostraram resultados positivos. A carne suína teve um aumento de 17,2%, enquanto as categorias de aves e carne bovina também registraram crescimento, apesar dos desafios impostos pela gripe aviária. O único ponto negativo foi a pecuária leiteira, que enfrenta a maior crise em 50 anos. Embora tenha havido um aumento de 4,3% na captação, a entrada de leite em pó importado pressionou os preços pagos aos produtores, resultando em nove quedas consecutivas ao longo do ano. “Minas conta com cerca de 220 mil produtores de leite que estão sofrendo com a importação de leite em pó do Uruguai e da Argentina, vendido a preços muito abaixo dos praticados localmente. Isso é uma forma de dumping, uma concorrência desleal,” criticou Antônio de Salvo.
Apesar do sucesso nas exportações, o setor produtivo de Minas Gerais também enfrenta um ambiente de severa restrição no crédito rural. De julho a outubro de 2025, o montante contratado no estado totalizou R$ 20,41 bilhões, uma queda de 16% em relação ao mesmo período de 2024. “É crucial prestar atenção ao seguro agrícola. Essa diminuição é um sinal de alerta para o futuro. Não necessariamente para a próxima safra, mas é essencial entender as razões por trás dessa redução no crédito dos produtores,” concluiu o presidente da Faemg. A queda reflete uma cautela generalizada no país, provocada pela alta das taxas de juros, aumento da inadimplência (que alcança 11% no Brasil) e o rigor mais intenso das instituições financeiras na concessão de recursos e na renegociação de dívidas.