De acordo com uma pesquisa inédita realizada pela VR e encomendada pelo Instituto Data Favela, as mulheres negras constituem mais da metade dos empreendedores nas favelas do Brasil, enfrentando a rotina desafiadora de jornadas de trabalho múltiplas. Os dados, divulgados pelo R7 Planalto, revelam o perfil e as condições laborais de quem movimenta a economia nas comunidades.
A análise mostra que 75% dos empreendedores nessas áreas são negros, com 55% sendo mulheres, e 48% com idades entre 35 e 59 anos. Além disso, a pesquisa indica que, pelo menos, 68% dessas mulheres investem mais de três horas diárias em tarefas domésticas e cuidados com os filhos, o que limita o tempo que poderiam dedicar à capacitação, gestão e expansão dos seus negócios.
Metade dos participantes da pesquisa afirmou ter apenas o ensino médio completo, e nove em cada dez continuam a exercer suas atividades dentro da própria favela. A informalidade é uma característica marcante dessa atuação, que se concentra nos locais de origem devido a imperativos econômicos.
Os pesquisadores observam que a ascensão das mulheres negras no empreendedorismo está relacionada aos efeitos da pandemia sobre o trabalho e a renda familiar. Nesse cenário, o desejo de criar um negócio próprio se tornou uma necessidade econômica, com sete em cada dez empreendedores iniciando sua trajetória nos últimos cinco anos e 45% começando durante a estabilização da crise de saúde pública.
Atualmente, 81% desses empreendedores se dedicam exclusivamente a seus negócios, sem buscar outra fonte de renda. Os setores mais predominantes entre eles são alimentação e bebidas (45%), beleza (13%), moda (12%) e artesanato (8%). A pesquisa entrevistou presencialmente duas mil pessoas em diversas regiões do país.
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