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Por que ‘Wicked: Parte 2’ é um dos filmes mais decepcionantes do ano

“Wicked: Parte 2” é uma verdadeira decepção. Possivelmente a sequência mais desnecessária que Hollywood já produziu, este filme, que dá continuidade ao sucesso do ano anterior, mostra-se uma casca vazia, um simulacro de cinema destituído de emoção e propósito. Com mais de duas horas de duração, a trama parece girar em torno do nada e termina sem oferecer qualquer substância. É um exemplo claro do desastre criativo que a cultura pop às vezes se permite cometer.

Do ponto de vista comercial, no entanto, a obra dirigida por Jon M. Chu promete ser um sucesso estrondoso. Ao fragmentar uma peça de duas horas e meia em um “épico” de cinco horas, a produção conseguiu manter os fãs do musical em suspense por um ano, prometendo o reencontro das estrelas pop Ariana Grande e Cynthia Erivo como um dos eventos mais aguardados da temporada. É certo que irá gerar lucros significativos, o que será um alívio para a indústria. Contudo, seria bom se eles ao menos se esforçassem para ir além da mediocridade.

Não que o primeiro “Wicked” seja uma obra-prima. Baseado em um musical de enorme sucesso (que, por sua vez, se inspira em um livro de 1995), a história revisita o clássico “O Mágico de Oz”, sob a perspectiva de duas bruxas: a bondosa Glinda (Ariana Grande) e a malvada Elphaba (Cynthia Erivo). A narrativa é previsível, uma repetição de histórias sobre amizade e crescimento, onde inimigas acabam se tornando amigas e tudo termina de forma otimista.

O grande destaque, sem dúvida, foi a escolha das protagonistas. Ariana e Cynthia conseguiram superar a superficialidade reinante e trouxeram personalidade e, o mais importante, profundidade às suas personagens. O envolvimento com o público é genuíno, pois nos importamos verdadeiramente com o destino delas. Ao final do filme, que corresponde ao primeiro ato do musical, Elphaba aceita seus poderes como bruxa e, rotulada como “Bruxa Má do Oeste”, voa com a promessa de libertar Oz das mentiras de seu famoso Mágico (Jeff Goldblum). As indicações ao Oscar para ambas não foram mera coincidência.

“Wicked: Parte 2” consegue, sem cerimônia, destruir a tábua de salvação de seu predecessor. A química entre Ariana e Cynthia desaparece, e as atrizes parecem atuar de maneira engessada. O encanto e o bom humor se esvaíram, assim como toda a graça e espontaneidade. Desde a cena inicial, dá-se a impressão de que ambas estão travadas, recitando seus diálogos sem convicção, como se estivessem ansiosas para concluir o trabalho e seguir para novos projetos. Nem mesmo suas vozes poderosas conseguem salvá-las.

Não as culpo, pois “Wicked: Parte 2” não oferece material dramático que permita a elas brilhar. A primeira metade do filme se arrasta com um punhado de canções sem inspiração, tentando estabelecer que Elphaba é caçada pelo Mágico – e seus macacos voadores – enquanto Glinda mantém uma fachada de lealdade ao senhor de Oz, ao mesmo tempo em que tenta “salvar” sua amiga e encontrar uma solução pacífica para o conflito. O que nunca fica claro é o que Elphaba, Glinda, o Mágico ou qualquer outro personagem realmente deseja. Libertar Oz? Expor o Mágico? Salvar os animais? O que se passa em suas mentes? Ninguém sabe.

Quando a trama finalmente parece tomar um rumo, “Wicked: Parte 2” revela sua fraqueza: o emparelhamento com “O Mágico de Oz”. A chegada de Dorothy, quando sua casa é trazida por um ciclone, adiciona um pouco de emoção ao sugerir uma rivalidade entre Glinda e Elphaba – a primeira descobre que seu amor se interessa por outra, enquanto a segunda deseja recuperar os sapatos de sua mãe. Ao longo do filme, também são reveladas as origens do Leão Covarde, do Homem de Lata e do Espantalho. Até aí, tudo bem.

O problema é que nada disso se conecta com o conflito central de “Wicked” ou com a dinâmica entre as protagonistas. É um ruído desconfortável, uma tentativa de comparar as histórias que acaba ofuscando a narrativa principal de “O Mágico de Oz”. Cenas que deveriam ser cruciais para a trama acontecem fora de nosso campo de visão. Personagens que fazem parte da cultura popular há quase 90 anos se comportam de maneiras estranhas – aqui, o Homem de Lata é movido pelo ódio. É, no mínimo, decepcionante.

Esse desconforto narrativo, sejamos sinceros, já era uma característica da estrutura de “Wicked” como livro e musical. No entanto, nos palcos, a natureza lúdica do espetáculo e a força das canções ao vivo amenizavam a estranheza de ter duas histórias que, supostamente, deveriam ser as mesmas, conduzidas como se estivessem em mundos paralelos. Em vez de adaptar a narrativa de forma eficaz e encontrar soluções mais inteligentes para os problemas, Jon M. Chu optou por um simples copy/paste, insistindo em um erro.

Seja como for, Chu não é exatamente um grande diretor. “Wicked: Parte 2” é conduzido com descaso. Cenas que deveriam provocar impacto emocional são apresentadas com a profundidade de um ralo. Exemplos disso são a queda de Nessa (Marissa Bode), irmã ciumenta de Elphaba, ou a reviravolta dramática de Fiyero (Jonathan Bailey) entre os dois filmes, que fica apenas na imaginação do público. Sem mencionar a escolha de Michelle Yeoh como a poderosa Madame Morrible, uma decisão que “Parte 2” torna ainda mais evidente como um erro.

Talvez esses deslizes fossem minimizados se “Wicked” fosse adaptado para o cinema como um único filme. Isso poderia ajudar a destacar seus pontos fortes – a relação entre Glinda e Elphaba e o desempenho excepcional de suas intérpretes – sem dar destaque a suas fraquezas. No entanto, na ânsia de ouvir o tilintar das caixas registradoras, a produção se estende como um seminário que poderia ter sido um simples tweet. Ao celebrar o excesso, “Wicked: Parte 2” se revela incapaz de desafiar as expectativas, desmoronando desajeitadamente.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade