À primeira vista, muitos podem confundir o impressionante edifício de estilo neogótico localizado no coração de Belo Horizonte com uma igreja. Contudo, ao se aproximarem, percebem que o local abriga o Museu da Moda de Belo Horizonte, conhecido como MUMO. Inaugurado em 2016, o MUMO é o resultado da evolução do Centro de Referência da Moda, criado em 2012, ampliando assim sua atuação e reforçando sua relevância cultural na cidade. Desde sua abertura, o museu atrai uma média de 3 mil visitantes mensais, incluindo estudantes, turistas e profissionais da área da moda.
O MUMO oferece uma variedade de exposições temporárias, atividades educativas e apresentações artísticas, todas relacionadas ao universo da moda e do design. A instituição mantém uma programação constante, segundo a assessora de projetos, Maria Carolina Ladeira, que destaca a proposta de trabalhar a moda como um elemento de memória, transformando o espaço em um museu dinâmico e vibrante. Para isso, o MUMO promove seminários, palestras, workshops e diversas outras atividades ao longo do ano.
Um Patrimônio Histórico em Transformação
O edifício, que possui três andares e uma torre, foi construído em 1914 para sediar o Conselho Deliberativo de Belo Horizonte, equivalente à antiga Câmara Municipal. Projetado pelo arquiteto Francisco Isidro Monteiro, membro da Comissão Construtora da Nova Capital, a construção rapidamente se tornou popularmente conhecida como Castelinho da Bahia.
Com o passar dos anos, o edifício desempenhou várias funções, incluindo abrigar o Museu de Mineralogia, o Museu da FEB, aulas da Escola de Belas Artes da UFMG, encontros da Academia Mineira de Letras e até mesmo a primeira emissora de rádio da cidade, a Rádio Mineira. Além disso, manteve uma de suas funções originais como a primeira Biblioteca Pública Municipal, que ainda está em operação.
A Metamorfose em Museu da Moda
Em dezembro de 2016, o prédio passou por uma nova e significativa transformação, tornando-se o Museu da Moda de Belo Horizonte. A proposta da instituição é se firmar como um centro de referência em memória, pesquisa e reflexão sobre moda, vestuário e comportamentos de diferentes períodos. Hoje, o museu conta com dois espaços de exposição e um teatro com capacidade para 77 pessoas.
Além de preservar acervos e documentos históricos, o museu busca fomentar debates sobre a moda como um elemento central da cultura. Para isso, estabelece parcerias com universidades locais e promove iniciativas abertas à comunidade. Entre essas ações, destaca-se a Aula Aberta, realizada semanalmente às quartas-feiras, que aborda diversos temas do universo da moda. Simultaneamente, o teatro do museu oferece aulas de moda afro, ampliando as perspectivas e enriquecendo as discussões sobre diversidade e inclusão.