Situada no interior de Minas Gerais, a cidade de Piranguinho, com pouco mais de 8 mil habitantes, se destaca no cenário nacional ao transformar o doce Pé de Moleque em uma importante fonte de renda, turismo e valorização cultural.
Com mais de 80 anos de tradição, os habitantes de Piranguinho preservam a receita do pé de moleque, transmitida de geração em geração. Esse zelo pela receita mantém a essência do doce e fortalece a identidade local. Assim, o pé de moleque foi reconhecido como patrimônio imaterial de Minas Gerais e patrimônio histórico municipal. Além disso, conquistou notoriedade em todo o país, tornando-se um verdadeiro símbolo da cultura mineira.
A festa que exalta o orgulho local
Anualmente, a cidade realiza a tradicional “Festa do Maior Pé de Moleque do Mundo”, que atrai visitantes e moradores de diferentes localidades. Durante essa celebração, confeiteiros da região preparam um pé de moleque gigante, que se torna a atração principal do evento. Essa festividade impulsiona o turismo, valoriza o trabalho dos produtores locais e preserva a tradição do doce artesanal. Na entrada da cidade, uma estátua em homenagem ao pé de moleque dá as boas-vindas aos visitantes, reforçando a conexão entre Piranguinho e sua iguaria mais emblemática.
Economia fortalecida pela tradição
A produção artesanal do pé de moleque utiliza ingredientes típicos da região, mantendo o sabor autêntico que conquista paladares em todo o Brasil. Por essa razão, Piranguinho é reconhecida como a “Capital Nacional do Pé de Moleque”. A receita clássica, que combina rapadura e amendoim torrado, confere à cidade prestígio e impulsiona sua economia. Ao longo do ano, a produção e a comercialização do doce geram empregos, aumentam a renda familiar e sustentam pequenos empreendimentos locais. Assim, Piranguinho transforma uma tradição simples em um ícone de identidade, prosperidade e orgulho comunitário.
A origem do nome “Pé de Moleque”
O curioso nome do doce possui duas explicações populares. Uma versão sugere que as quituteiras gritavam “Pede, moleque!” quando as crianças tentavam roubar o doce quente das mesas. Com o tempo, a expressão se tornou o nome da guloseima. Outra teoria relaciona o nome à aparência do doce, que lembra o calçamento irregular de pedras conhecido como “pé de moleque”, comum em cidades históricas como Ouro Preto. Independentemente da origem, o pé de moleque se firmou como um clássico da culinária brasileira, surgido no século XVI, durante a introdução da cana-de-açúcar na Capitania de São Vicente.
Uma história que começou com uma ideia simples
A trajetória do famoso pé de moleque de Piranguinho remonta a 1936, quando Matilde Cunha Torino, esposa do chefe da estação de trem local, decidiu vender doces na janela de sua casa para complementar a renda. Sua filha, Alcéa, sugeriu que ela também fizesse um doce de amendoim com rapadura para oferecer aos passageiros dos trens. O doce logo se tornou popular entre os viajantes, e um menino passou a vendê-lo nos vagões, chegando a seguir viagem até Itajubá antes de conseguir descer, conforme relata Sônia Regina Guedes Torino, neta de Matilde e atual responsável pelo negócio.
Com o fechamento da estação, Alcéa abriu uma barraca à beira da estrada, pintada de vermelho, sua cor favorita, dando origem à Barraca Vermelha, que popularizou o pé de moleque e tornou Piranguinho famosa no Brasil. Entre os admiradores do doce, o poeta Carlos Drummond de Andrade enviou uma carta à família Torino, elogiando a iguaria como “a pura joia mineira”. Curiosamente, os meninos que vendiam o doce nos trens cresceram e se tornaram funcionários da fábrica da família, perpetuando a tradição iniciada por Matilde.