Nas décadas de 1980 e 1990, o estilo descontraído e os trajes reveladores das apresentadoras infantis geravam críticas sobre a suposta sexualização precoce de crianças e pré-adolescentes. Contudo, essa visão exagerada reflete mais sobre aqueles que a promoviam do que sobre as comunicadoras, cujo principal “erro” era fomentar um consumismo desenfreado.
O que figuras como Xuxa e Angélica realizavam na TV aberta é ínfimo comparado ao conteúdo gerado por influenciadores mirins nas plataformas digitais e YouTube. Embora seus vídeos comecem de maneira inocente, com danças, jogos e análises de brinquedos, o que se vê é uma rápida transição para conteúdos ambíguos que realmente flertam com a sexualidade.
Recentemente, a série documental “Má Influência: O Lado Sombrio dos Influencers Infantis”, lançada na Netflix, traz à tona a discussão sobre os perigos da presença de crianças e adolescentes criando conteúdo online, ressaltando a necessidade urgente de uma regulamentação mais rigorosa das redes sociais.
Por meio da história de Piper Rockelle, uma jovem que alcançou a fama digital ainda na infância devido à ambição de sua mãe, Tiffany Smith, a série de três episódios oferece uma visão clara de como menores são explorados para gerar lucro para adultos.
Além disso, “Má Influência: O Lado Sombrio dos Influencers Infantis” revela que essas crianças e pré-adolescentes frequentemente se veem obrigados a encenar situações “românticas” e a posar de maneira sugestiva para agradar a uma audiência, em grande parte composta por homens maiores de 18 anos, que não buscam esse tipo de conteúdo com boas intenções.
Esses jovens influenciadores não só enfrentam situações que ultrapassam limites éticos e legais, mas também sofrem com a pressão sobre sua saúde mental, tornando-se prisioneiros de métricas de visualizações e curtidas. Suas experiências de crescimento são expostas a um público que não hesita em criticar e julgar.
Assim como a canção “Adolescência”, “Má Influência: O Lado Sombrio dos Influencers Infantis” nos leva a refletir sobre nossa responsabilidade em um cenário onde crianças e adolescentes têm suas vidas expostas pela ausência de regras na internet. A dura realidade é que, talvez, estejamos limitados em nossa capacidade de mudar essa situação.